Sobre esta lenda, que hoje ainda faz parte do folclore local, o escritor José Augusto Vieira escreveu na sua obra O Minho Pittoresco, publicada a 1886:

“A confrontar com Cerdal fica, S. Miguel de Fontoura, nome que a tradição diz provir d’uma fonte situada junto á Casa Alta, cujas águas arrastavam numerosas palhetas de ouro: d’ahi o nome de fonte d’ouro

(VIEIRA, 1886, p. 110)

A Narrativa leva-nos ao Alto Minho, concretamente à aldeia de Fontoura, através das palavras do escritor Aquilino Ribeiro:

Nos anos de 1560, a aldeia era dominada por um abade poderoso e devasso, que resistia à autoridade eclesiástica com a ajuda de mercenários galegos. Este abade, denominado de “Testa-de-boi”, impunha-se através da força e da intimidação, acumulando riqueza e filhos fora do casamento, sem respeito pelas visitas dos bispos.

Dom Frei Bartolomeu, ao ser informado dos perigos, enfrentou a situação com astúcia, disfarçando-se como um frade mendicante para entrar em Fontoura.

Ao confrontar o abade, usou de uma varinha, de castanheiro, como símbolo de autoridade e exigiu-lhe comida antes de proceder a qualquer punição. A presença do arcebispo e a sua autoridade fizeram com que o abade finalmente cedesse, reconhecendo os seus erros e pedindo perdão.

Aquilino Ribeiro destaca a habilidade de Frei Bartolomeu em lidar com o abade e sua prole, reconhecendo a complexidade humana e necessidade de tolerância e compreensão. Embora a situação tenha causado escândalo, o tempo e a decadência física do abade em posição, mas com a supervisão de um coadjutor, garantindo assim a ordem sem desmantelar a estrutura existente.

Sobre esta história, que demostra a ligação antiga que a Freguesia  têm o Caminho de Santiago Portugês, o escritor Augusto Pinho Leal escreveu na sua obra Portugal Antigo e Moderno – Diccionario, publicada a 1874:

“No logar do Reguengo, d’esta freguezia, é a casa da Rua, de que é actual possuidor o sr. Francisco José Dantas Montenegro, morgado da casa d’Antas, na freguezia de Rubiães, concelho de Coura. A casa Rua, é célebre por n’ella ter estado a rainha Santa Isabel, quando foi (segundo dizem) em romaria a S. Thiago de Compostella”

(LEAL, 1874, p. 212)